Introdução
Robert T. Kiyosaki é um gênio. Além de ter escrito Pai Rico Pai Pobre, livro que o fez ficar por cinco anos na lista dos mais vendidos do New York Times, feito somente repetido por 3 outros autores, o cara é milionário, em vias de se tornar bilionário, com uma carteira de milhares de imóveis ao redor do mundo.
Tudo isso fez com que ele escrevesse um livro com o mega-bilionário Donald Trump, chamado “Nós queremos que você fique rico” (uma tradução ruim do título original em inglês, “Why we want you to be rich”, ou “Por que nós queremos que você fique rico?”). Já neste livro, Trump e Kiyosaki refletem sua preocupação com o estado das finanças americanas e já prevêem um futuro sombrio para a GM, expondo várias razões pelas quais a empresa acabaria na situação pré-falimentar em que se encontra hoje.
Você pode até argumentar que prever o futuro é algo perigoso, mas o fato é que Kiyosaki tem tido uma taxa de acertos muito grande. Basta ver as previsões da Rich Dad, sua empresa, para 2008 (para quem sabe inglês, em três partes, um, dois e três), e ver que eles acertaram tudo.
Ok, chega, vamos agora às previsões!
Pois é, e esse guru que tem um talento incomum para obter e processar as informações para perceber para onde estão indo as finanças não tem lá novidades muito boas para os próximos anos. Em artigo no Yahoo Finance (em inglês), ele diz, por exemplo, que há uma luta pelo poder, uma luta pelo controle do sistema financeiro internacional. Jogando trilhões de dólares na economia, o Federal Reserve estaria forçando uma abrupta desvalorização do dólar (uma vez que o preço de uma moeda é determinada pela relação oferta x demanda) e ameaçando jogar os Estados Unidos numa espiral hiperinflacionária que ele compare com a que Robert Mugabe fez no Zimbábue.
Claro que inflação nos Estados Unidos significa inflação em dólar, e é aí que o problema começa a se tornar mundial. Segundo Kiyosaki, isso deve causar um desarranjo nas finanças internacionais e um descrédito do dólar como moeda confiável, fazendo os Estados Unidos perderem sua posição de referência em termos de confiabilidade financeira. Outros países parariam de comprar títulos americanos e passariam a exigir pagamentos em outras moedas e a não aceitar dólares, o que derrubaria ainda mais o valor da moeda.
E, em 2020, vem o pior de tudo. Quando a geração “baby boomer” começar a se aposentar, virá o maior bailout da história. Essa geração encontrará uma Social Security (a previdência deles) quebrada e um Medicare (o SUS deles) sem capacidade de cobrir os altos custos de um sistema de saúde caro e concentrado nas mãos de poucos grupos poderosos. Para poder honrar os compromissos de aposentadoria e assistência à saúde dos americanos, Kiyosaki estima que o governo precisará de espantosos US$ 100 trilhões (quase 8 vezes o PIB americano) para cobrir o buraco. Isso em valores atuais.
Segundo Kiyosaki, 2020 será um ano muito duro. Pagando ou não a aposentadoria e os cuidados de saúde, na prática, o governo não conseguirá pagar. Afinal, mesmo que pague, terá que colocar uma quantidade tão grande de dinheiro em circulação que o valor será logo irrisório devido à hiperinflação.
Vindo de Kiyosaki, é de botar medo… mesmo assim, nem tudo são danações no Apocalipse. Kiyosaki diz que este é um dos raros momentos em que se pode ficar muito rico. Investindo sabiamente em imóveis ou ações, comprando bens muito desvalorizados, dá para garantir uma boa renda e ainda ter ganhos de capital sobre o valor investido.
Para quem sabe inglês, o artigo está aqui.
Admin Economia & Finanças 2009, 2020, previsões para a economia, robert kiyosaki